Há alguns meses, quando fui ver Minority Report no cinema, fiquei impressionada com o futuro. Tinha lido em algum artigo por aí que as tecnologias usadas no filme são as que os cientistas esperam que estejam no mercado daqui a cinqüenta anos. De tudo que foi mostrado no filme o que achei mais impresssionante são as interfaces projetadas no ar. É o fim do sedentarismo! [E todos os nerds serão atléticos como o Tom Cruise... hum...]

Nesta cena, o personagem de Tom Cruise manipula os objetos na interface do computador utilizando luvas com sensores ópticos
Adoraria perguntar a este usuário do futuro se ele sente realmente manipulando os arquivos. Da mesma forma como adoraria perguntar para uma daquelas programadoras pioneiras dos ENIAC e UNIVAC o quanto elas se sentiam interagindo com a máquina.
É claro que, nestes exemplos, o nível alcançado pela tecnologia nestas épocas é determinante para a interação entre homem e computador. Mas, mesmo assim, nestes dois extremos nem a imersão é nula, nem é absoluta. Próximo do nulo existe uma possibilidade do homem abstrair [eu via verdadeiras máquinas de guerra me atacando no Megamania...]. No absoluto, o superego do homem estará mandando pings para o consciente dizendo “volte para a realidade… volte para a realidade…”. Se o homem não for mais capaz de mandar pings como este temos um belo argumento para um filme de suspense e terror, como Matrix e eXistenZ.
Mas estamos em 2003, e em qual nível de imersão estamos hoje? Vamos imaginar um sujeito em seu escritório acessando o internet banking e depois indo até um portal para ler uma notícia sobre a votação na ONU. Depois do expediente, este mesmo sujeito vai para uma lan house com alguns amigos jogar Counter Strike. Em qual dos momentos ele sente interagindo melhor com a máquina?
À medida que os computadores e o sistemas operacionais ficam mais rápidos e estáveis, a tendência é que os ambientes se tornem mais holísticos e familiares para os usuários. Tudo para aumentar a imersão e, com isso, a concentração dos usuários em suas tarefas. Se conseguirmos a imersão do CS numa lan dentro de um ambiente Web, onde os trabalhadores executam processos, teremos o ambiente de trabalho perfeito. A produtividade sobe, empresas ficam felizes. E o tempo decorrido num escritório passa voando, ponto para os trabalhadores. Não sei se este ambiente vai existir somente daqui um, dez ou cinqüenta anos, ou se este é um movimento que já começou há vinte anos com os micros de interface gráfica. Só o tempo nos dirá.
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