Durante anos, ouvimos aquele papo de que a Web é um ambiente diferente de todos os outros off line. A estrutura da informação deve ser específica, única, totalmente nova. Deve-se considerar a percepção diferenciada que o usuário tem em relação às outras mídias. Eu mesma andei falando isso por aí, confesso. Mas vi um site hoje que me fez pensar se não está na hora de começar a mudar este discurso radical.
Uma amiga, louca por coisinhas de casa e decoração como eu, mandou o link de um catálogo on line da Crate and Barrel. O catálogo real foi inteiramente reproduzido dentro de um flash. Por inteiramente, entenda-se página a página. Mas a solução é longe de ser simplista e barateira como, por exemplo, a fabulosa “romipeige” da loja de móveis Provencita ou o encarte das Lojas Karícia. No catálogo on line da Crate and Barrel, cada item de cada foto é clicável e possui um link direto para a página de visualização do produto. Dali você já compra o produto.
As vantagens de se fazer um sistema assim para um catálogo on line vai além do custo. O público-alvo desta empresa acessa sites como este há muito menos tempo do que os catálogos reais. E mesmo viciados em rede como nós, desenvolvedores, temos que confessar que ainda nos sentimos muito mais confortáveis em folhear revistas do que ler no monitor. Quando se menciona um catálogo para qualquer um, a primeira idéia que vem à cabeça ainda é um livreto. Por que não aproveitar esta sensação no usuário? Acabar fazendo disso uma metáfora bem construída que vá auxiliar o usuário e não confundi-lo mais?
Além disso, neste caso específico de catálogo de produtos de decoração, as fotos dos ambientes montados são um grande enfoque para a venda. Afinal, você não compra uma mesa de jantar como uma câmera digital. A mesa tem que combinar com as cadeiras, o buffet, os vasos, o estilo de vida do consumidor. Sites como o da Tok & Stok usam este tipo de referência nas páginas primárias do catálogo e em matérias especiais. Funciona bem, mas será que funciona melhor que aquele folder que recebo mensalmente em casa?
A minha dúvida é ainda se estamos maduros o suficiente para ousarmos mais na navegação e em outros aspectos do desenvolvimento do que fazemos hoje. Ou ainda temos que evangelizar os profissionais da Web como crianças e continuar falando que não se pode cair na piscina depois de comer?
20/08/2004 às 15:38
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