Segunda bolha

Bradesco, TAM, Volkswagen, IBM, Nokia, Petrobras, estão todos no Second Life. Daqui a pouco, verei até a padaria do Seu Joaquim com uma filial! Cada vez que vejo um release de uma grande empresa inaugurando um quiosque ou um mesmo comprando uma ilha inteira, questiono se a intenção não pára no próprio release.

As agências de comunicação digital estão levando cada vez mais seus clientes a investirem no jogo. Para cada tipo de negócio, há uma boa idéia a ser implementada no jogo: festas promocionais, resolução de dúvidas sobre investimentos financeiros online, teletransporte em aviões virtuais, visualização de prédios em construção em stands de venda 3D. Seria lindo se fosse não só vendido, mas também pensado desta forma.

Hoje, domingo, é dia de passear nas ilhas brasileiras e todas estavam lotadas. Dei uma voltinha para ver algumas idéias em ação no Second Life:

Gillette

Eis uma campanha padrão: um ônibus virtual estacionado na praia de Copacabana. Clicando no ônibus, um link para um cadastro no site da promoção. Preenchendo o cadastro, ganha-se um super brinde. Só que após o cadastro meu avatar não ganhou nada além de um “obrigado”. Foi necessário voltar no Sim e passar um papo na promoter.

Ônibus Prestobarba - Ative Sua Atração No SL

O brinde? Um boné que faz você perder seus cabelos, um CD que não toca e um button que emite partículas brilhantes. Alguém mencionou uma festa, mas os dez minutos que concedi a esta campanha estouraram e voei dali.

TAM

A notícia sobre o quiosque da TAM na Berrini diz que você pode voar de uma ilha para outra. Nenhuma menção ao teletransporte, uma das funcionalidades mais populares do SL. Há um objeto bem legal pode ter o formato que quiser e leva o avatar de um ponto a outro pré-determinado. Mas não é este o caso. A implementação do tal vôo foi um link:

TAM - Teletransportes Aleatórios Marília

Sendo que a tal Inglaterra é uma micro-ilha no meio do nada onde nada acontece.

TAM Inglaterra

Não perca seu tempo passando por lá. Até porque não tem o link de volta para a Berrini e nem para os outros destinos oferecidos no quiosque principal.

Tecnisa

A idéia é incrível: a reprodução de um apartamento decorado em um stand de vendas virtual. Acredito que todos os projetos dos grandes empreendimentos imobiliários possuem alguma modelagem em 3D. Por que não exportar parte destes gráficos diretamente para o jogo?

Stand de vendas da Tecnisa

Mas não é só tecnologia que se vende uma boa idéia no Second Life. Seria bem melhor se tivesse alguém para atender no stand virtual hoje. Fiquei apenas cinco minutos no apartamento e apareceram dois curiosos. E todos sabem que domingo é dia de procurar por apartamentos.

Unibanco

Unibanco
Aqui temos o mesmo problema da Tecnisa. Acredito que não é todo mundo que pode acessar o jogo durante o horário comercial.

Yahoo! Cadê?

Aqui temos finalmente uma boa idéia bem implementada. Um HUD que, quando ativado, possibilita que qualquer coisa digitada no chat retorne um resultado no Yahoo!Cadê? no próprio chat history. Muito prático.

Yahoo! Cadê? hud

No stand do Yahoo!Cadê? no Jardins havia um avatar muito bem vestido tirando as dúvidas sobre o HUD e convidando os visitantes da ilha para uma promoção.

Estão todos correndo para investir no jogo como se fosse uma nova Web e como se estivéssemos em 1995. Gente, é só um jogo. Um jogo muito legal, sim, e uma fonte de renda para muitas pessoas e empresas, mas só mais uma nova oportunidade. Faça direito e sua marca será lembrada. Ou você acha que vou vestir a camiseta da sua empresa só porque ganhei?

Mais informações:

Em junho, haverá em São Paulo dois eventos sobre empresas e Second Life: Possibilidades de Desenvolvimento no SL – Exemplos de Cases de Sucesso na Plataforma Virtual, promovida pelo Senac São Paulo, e o seminário O Ambiente de Negócios no Second Life, promovido pela Info.

Outros links:

Acessível para quem?

O discurso politicamente correto da acessibilidade na Web está esgotado e deu poucos resultados. Precisamos de numa nova estratégia? Não, apenas precisamos enxergar bem mais longe do que isso.

Qualquer dicionário de bolso traz uma definição bem clara e precisa sobre acessibilidade:

acessibilidade
do Lat. Accessibilitate. s. f., qualidade de ser acessível; facilidade na aproximação, no trato ou na obtenção.
Priberam Informática – Língua Portuguesa On-Line

Não sei como, mas todos ficaram obcecados com a idéia de que acessibilidade serve apenas para usuários portadores de alguma deficiência visual. Nem mencionam miopia, hipermetropia, daltonismo ou qualquer outro defeito de percepção visual: acessibilidade é para quem possui baixa visão ou cegueira e ponto final. Desta forma, não há cliente ou chefe que seja convencido a pagar a mais pela verificação de acessibilidade de um código, mesmo que a especificação seja criada para impedir qualquer tipo de obstáculo ao acesso a qualquer tipo de usuário.

Somos todos míopes

Esta percepção também é uma herança de nossa arrogância nos primeiros anos do desenvolvimento Web. Focamos o projeto em um público-alvo bem específico e construímos o melhor do mundo para estes usuários.

Anos atrás, durante um curso de usabilidade, participei de um grupo que fazia um teste em um website de uma montadora de veículos. O site era inteiramente em Flash, daqueles altamente “interativos” com efeitos de som para cada botão na interface. Quesítionados se algum portador de deficiência visual poderia ter acesso àquela informação, chegamos à conclusão que cegos não precisam acessar sites de carros e partimos para o ponto seguinte. Qualquer discussão com este foco acaba sempre em um beco sem saída.

Olhando um pouco mais para o futuro onde usaremos mais dispositivos móveis e mais computação ubíqua, será que poderemos usar um site projetado para computadores desktop e obter a mesma experiência em um celular? Talvez esta interface consiga ser acessível de qualquer outro dispositivo que não um computador com teclado e mouse, mas eu não apostaria meu emprego nisso.

Imagine um usuário Web avançado usando seu smartfone num táxi. Ele deseja comprar um carro novo. Neste instante, passa por ele um modelo 2008, incrível, de sua montadora favorita. Imediatamente, ele sente vontade de acessar o website da montadora para verificar as especificações do carro e condições de financiamento. Este usuário pode estar a um passo da decisão de compra do produto, mas se ele não conseguir acessar imediatamente, como ele está acostumado a fazer, o desejo esfria e a memória sobre o modelo vira fumaça.

Robôs: os preteridos

Numa era onde falta apenas enviar flores com dedicatórias amorosas para o GoogleBot para convencê-lo a indexar as páginas com mais atenção e carinho, não acredito que ninguém pense na sua acessibidade. Afinal, ele é um usuário como qualquer outro.

Bem, isso não é inteiramente verdade. O GoogleBot ainda não passou no Teste de Turing, é totalmente cego e surdo, não entende JavaScript, entende muito pouco de Flash, entre outras limitações que o distinguem de um navegador moderno e de um usuário humano. Poucos usuários devem ser tratados com tanto amor e ao mesmo tempo são tão desprezados pela maior parte dos desenvolvedores Web.

WCAG não é tudo na vida

A principal lista de verificação de acessibilidade em uso é WCAG 1.0. É um documento de oito anos numa mídia onde tudo muda de um ano para o outro. Não é exatamente o que podemos chamar de confiável. Há vários parâmetros interessantes, mas outros passam batidos.

Por exemplo: muitos afirmam que para uma interface ser acessível ele não precisa ser construído com marcação semântico e CSS design. E ele de fato consegue passar um site montado com tabelas em um verificador automático e conseguir o selo de conformidade que desejar, mas ele não cumpriu o WCAG 1.0 de verdade e nem conseguiu uma interface realmente acessível. O desenvolvedor foi iludido porque considerou apenas o mundo ideal de acesso usando um computador desktop. Em qualquer outro dispositivo o acesso à informação fica seriamente comprometida. Além disso, há várias citações à marcação semântica na lista, como nas seções 2, 3 e 11.

Há uma nova versão do rascunho do WCAG 2.0. A principal diferença entre este e seu antecessor é que o foco saiu dos usuários com necessidades especiais e o W3C passou ambicionar que a Web atinja realmente todos usuários, “independentemente do seu equipamento, software, infra-estrutura de rede, idioma, cultura, localização geográfica, ou habilidade mental ou física” [W3C in 7 points]. Ainda é um rascunho e não há verificadores automáticos para ele. Por enquanto, segue a regra: não faça do WCAG uma verdade absoluta. O seu julgamento enquanto usuário, desenvolvedor e testador é bem mais importante do que um selinho de conformidade gerado por um robô.

Além disso, o grupo WCAG Samurai fez uma revisão interessante sobre a lista de verificação original do W3C.

O melhor verificador

A solução mais fácil para garantir a acessibilidade de um dispositivo é ser simples. Construa as interfaces do seu website ou seu webapp respeitando os padrões Web e acrescente as camadas de aprimoramento da experiência do usuário aos poucos. Não faça com que este aprimoramento se torne um obstáculo. Se for importante para conseguir o reconhecimento de algum verificador automático para exibir um selo de conformidade, é necessário apenas seguir as especificações tomando um ou outro cuidado especial de acordo com o tipo de elemento utilizado.

O compromisso com a acessibilidade vai além de um selo de conformidade. Leia de novo todas as tags XHTML e seus atributos. Desta vez, preste atenção onde é possível melhorar a acessibilidade. Nos formulários mais complexos das webapps, abuse dos atributos accesskey e tabindex para otimizar a realização da tarefa. Verifique mesmo o conteúdo alternativo de elementos multimídia para melhorar a indexação do documento por um mecanismo de busca.

A verificação de acessibilidade é uma tarefa diária no desenvolvimento Web e é responsabilidade de todos na equipe. Cada um tem uma pespectiva própria de uma interface e deve opinar no código sim. No desenvolvimento de aplicativos, é importante o acompanhamento do usuário realizando a tarefa. Nos testes de usabilidade, leve alguém que entenda de marcação HTML que possa ajudar a criar atalhos para os usuários avançados, identificar quais conteúdos podem ser omitidos ou mostrados de acordo com a mídia utilizada, entre outros fatores.

Palestra sobre planejamento de interfaces acessíveis para Web

Em outubro, fiz uma palestra (na realidade, uma mesa redonda) para discutir o projeto de interfaces Web acessíveis para a maior parte dos usuários. Esta foi a apresentação:

Referências:

Sentiram minha falta?

Tenho uma nova teoria: os blogs voltam quando as coisas tendem a dar errado. Ano passado todo mundo sumiu da blogosfera. Muito trabalho sim, mas principalmente muita euforia com a tal de Web 2.0 e todas as e-business bullshits que agora todos nós conhecemos de cor e salteado. Aos poucos estou vendo uns blogueiros das antigas pipocando conteúdo aqui e ali, bem como naqueles anos da ressaca da bolha.

Comecei a ver alguns projetos dando errado por aí e me deu a coceirinha de voltar a escrever. Sou chata – muito chata – e adoro botar o dedo na cara e dizer “eu não disse?”. E foi por isso que voltei. Alguém tem que ter a coragem de dizer no meio da festa para parar tudo e pensar no que está fazendo. A primeira encarnação deste blog foi bem assim e provavelmente esta nova será desta forma também, vide o artigo pela extinção das newsletters solicitadas ou não. Mas não quero que seja apenas isso. Vou publicar mais fairs divers como esta divagação sobre como colaborar com a redução dos uso de alguns recursos naturais com o nosso trabalho na Web.

A novidade aqui é que matei o MovableType e finalmente estou assumindo meu amor pelo WordPress. E pela primeira vez tive uma ajudinha na publicação de uma nova versão do blog. Bianca Marotta assina o design de interfaces.

Até amanhã!

Pelo fim das newsletters

Estamos finalmente vencendo o spam. Algumas companhias estão a um passo de heurísticas eficientes para detectar mensagens indesejadas. As estatísticas sobre spam pornográfico provam isso. Mas será que conseguirão entrar na cabeça do usuário para distinguir se o usuário quer ainda receber ou não aquela mensagem?

Em algum passado distante, alguém achou poderia coletar o e-mail de todos os visitantes para mandar anúncios e informações sobre produtos e serviços. O e-mail marketing era a solução ideal para manter relacionamento com poucos custos e alta eficiência. Funcionou muito bem na velha “nova economia”. Hoje não faz mais sentido.

Para que o e-mail marketing seja diferenciado de spam é necessário que a base de usuários seja legítima. Os provedores de serviços de hospedagem Web estão sendo pressionados por campanhas anti-spam cada vez mais eficientes e mais agressivas. Esta pressão chega aos seus clientes sob a forma de cancelamentos de contratos e bloqueio de acesso a certos serviços. Cabe à empresa contratante provar que cada usuário cadastrado manifestou o desejo de receber mensagens informativas. Não há um método específico para isso e cada provedor de hospedagem tem sua própria política.

Usuários não são os seus melhores amigos

Os usuários podem ter preenchido um cadastro em papel fornecendo e-mail para contato em papel numa loja ou num evento. Se não estiver explícito que o cadastro seja para envio de mensagens, o usuário pode denunciá-lo. O mesmo cenário serve para cadastros online. Este aviso não pode estar nas letras miúdas. O usuário deve ter consciência para lembrar desta ação anos mais tarde se for preciso.

Claro que é utópico: usuário não tem memória. Mesmo se algum dia ele foi até o seu site, preencheu o cadastro completo e deixou explícito o desejo de receber newsletters, nada o impede de denunciar sua acalentada mensagem com um click no botão de junk mail. Se mais usuários assinarem embaixo, você está a um passo da lista negra.

Um cenário mais assustador é o de bases que contém tanto usuários que manifestaram o desejo de se cadastrar quanto outros que não o fizeram formalmente. Normalmente estas bases não possuem nenhum identificador que possa separar os dois tipos de usuários. Se tratar estes dois usuários da mesma forma, você corre o risco de perder os dois.

Partindo para o plano B

E-mail marketing é o caminho fácil para o CRM, mas não é o único. Qualquer CMS por mais simples que seja possue suporte a RSS. Quem quer notícias sobre sua empresa, assina o feed e tem absoluto controle sobre todas as suas assinaturas. Basta ser um pouco didático ao apresentar esta opção com pequenos tutoriais e links para agregadores de notícias.

Seja criativo e persuasivo nas estratégias e campanhas de marketing. Faça o usuário trabalhar para você, espalhando sua marca e suas idéias. Para isso, facilite ao máximo a captura de URLs para que ele possa passar adiante usando um toolbar, como o StumbleUpon, ou por mensagem instantânea, como o MSN Messenger ou Gtalk. Aquela solução básica das caixinhas de “envie esta página para um amigo” está fora de moda e cai no mesmo problema da newsletter.

Eu quero porque quero

Se quiser continuar adotando o e-mail marketing como forma de relacionamento e se identificou em algum dos cenários citados, fique atento às seguintes medidas:

Legitime sua base de usuários

Reenvie um convite para todos que estão na sua base. Construa uma nova somente com aqueles que manifestarem o desejo de receber a newsletter. Muitos usuários temem clicar em “unsubscribe” e acabar por confimar seu e-mail.

Reestabeleça a confiança

Assegure ao usuário que o cadastro será apenas para o envio de mensagens informativas. Faça isso de forma clara e objetiva. Se for necessário usar textos mais longos destaque as frases mais importantes com negrito ou sublinhado.

Foco na qualidade, não na quantidade

Estude os logs de envio e mantenha a base enxuta. Não adianta ter uma lista de quatro mil endereços se apenas quarenta recebem sua mensagem. Se precisar de números para passar para o patrocinador, enfatize a qualidade da base.

Com algumas estratégias de relacionamento, é possível coletar algumas respostas interessantes ao longo do tempo e não somente no cadastro inicial. Não espere que o usuário preencha um cadastro de duas, três páginas para saber quais os interesses deles. Estude os clicks e os pages views de cada item enviado.

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