Cri cri… cri cri…

Ontem, um amigo meu enviou uma mensagem de disponibilidade para trabalhos braçais. Ele precisava de algum freela “brainless” para relaxar. Afirmei que estou pegando todos para mim. Ando fominha destes trabalhos e passando adiante todo o resto!

Eu te libertei…

Hoje ouvi uma reclamação semelhante de uma outra amiga. “Estou cansada de pensar”. Poderia complementar “cansada de ser mal paga para pensar”, mas é injusto. Nunca tive tanto trabalho, nem fui tão bem remunerada. Acredito que posso dizer o mesmo de alguns deles.

Desde que voltei com este blog em maio, fiquei surpresa que muitos dos posts ficaram meio perdidos, sem discussão. Procurei por outros sites, ninguém blogando. Se encostasse o ouvido perto do computador, acho que dava para ouvir o “cri-cri” do grilo denunciando o silêncio na blogosfera profissional brasileira. Estão todos cansados de pensar oito horas por dia para blogar à noite. Tudo o que andamos fazendo é publicando frases soltas no Twitter e copiando links para nosso del.icio.us. Mais nada.

O grande incentivo dos blogs profissionais no início dos anos 2000 foi a necessidade de expressão. Todo mundo queria publicar o que estava pensando, mesmo que não tivesse ninguém para ler. O trabalho era chato, os produtos eram ruins e a bolha nos deixou deprimidos. Queríamos uma plataforma nova, fácil e inteligente como os primeiros anos da Internet comercial não foi de fato. E quem diria que o que planejamos, a tal Web 2.0, iria nos deprimir também. E agora por excesso de trabalho.

Sim, eu acho que sei por que estou me sentindo assim. Não tem muita gente para ajudar. Digo, ajudar a pensar! Para quebrar pedra é fácil conseguir alguém. Agora alguém que saiba o que fazer com a pedreira…

Desde o ano passado estou recebendo vários pedidos por profissionais para todas as áreas, especialmente programadores. Estão todos alocados. Queria saber se tem gente nova, saindo de universidades e cursos técnicos, que esteja entrando no mercado hoje. Agora sim sentimos no mercado Web o que a galera de Tecnologia da Informação sofre há décadas: dezenas de milhares de vagas em aberto para uns poucos gatos pingados formados a cada ano.

Se você tiver alguma idéia do que mais está acontecendo com a gente, por favor se manifeste na caixa de comentários logo abaixo. Obrigada.

Por | Tags: , | Alterado em 14/08/07 às 20:08

Comentários

  1. Estou sem cérebro para fazer um comentário decente, usei o ClickComments (brilhante!).

  2. Sem tempo para blogar, sem tempo sequer para atualizar o site profissional… portfolio então, putz! E pior, até trabalho braçal ando pensando em recusar…

    O chato disso tudo é que as pessoas com as quais poderiamos contar para pensar conosco, geralmente, estão espalhadas Brasil afora, e convenhamos, pensar remotamente é meio complicado… precisa de muito entrosamento…

    Ando à caça de um partner de verdade aqui em BH, já pensei até em sair daqui em busca de algum em algum outro canto do país… Mas seria arriscar mto não?

    Felizmente as contas estão pagas, nao ficamos ricos, ainda?, mas tb nao passamos fome.

    Será que a profissionalização bate às nossas portas? Será que a web está deixando de ser um lugar tão habitado por sobrinhos e começando a ganhar status profissional, também para os pequenos e médios clientes? I HOPE SO!

    e nos vemos no codeshow! ;)

  3. Rafael Lima disse:

    Minha opinião é que sempre existe uma euforia inicial para toda novidade. Estamos num momento de decantação das idéias, até por que percebemos que nem tudo é tão rentável quanto parece.

    Escrever um blog toma tempo, recurso importante e não traz retorno suficiente como outras atividades que tomam o mesmo tempo.

    Acho que podemos continuar blogando e pensando, para isso precisamos dar o devido valor a esta atividade, administrar o tempo resolve o problema.

    Abraços

  4. Jader Rubini disse:

    Engraçado eu estar passando justamente pelo inverso…
    Estou cansado de fazer o braçal. Estou cansado de “recorta esse layout que eu acabei de criar aí pra amanhã que o cliente tá caindo em cima”.
    Gostaria, ao menos uma vez, de poder pensar um projeto web decente. Aqui na minha região as pessoas não entendem a internet como eu imagino que entendam aí no Rio… sorry…

  5. Leo Cabral disse:

    Há 4 anos atrás era fã de blogs sobre crônicas pessoais (não dos blogs pessoais mal escritos). A maioria deles fechou muito antes dessa onda de ganhar dinheiro blogando virar trend. E alguns dos autores me disseram quase unanimamente na época que “passou a fase de escrever na Web”. Acredito que os extremos passam e hoje também passou a fase da diluição, da idolatria cega ao Google e de tantas coisas; só que ainda não apareceu nada bom para tomar o lugar. Porque tudo continua a surgir e sumir com uma velocidade estúpida demais pra se fixar. Tudo é instantâneo. E como um enfermeiro que vê sangue e tripas o dia todo nos acostumamos com o ligeiro nas suas formas mais grotescas. Pessoalmente sinto um tédio da vertigem quando falam em Web 2.0 e de tudo que seria possível fazer com ela se não estivéssemos tão entediados.

    Sobre o mercado, acho que a demanda no Brasil permanece a mesma na maioria dos lugares a diferença é formação dos profissionais envolvidos. Por aqui, por exemplo, as empresas preferem os codemonkeys, os programadores-peões. Num mundo ligeiro e conectado onde um vietnamita de 14 anos faz o dobro do seu trabalho ganhando metade do que você ganha, cérebro não é mesmo um requisito profissional estratégico.

  6. Claudia disse:

    braçal??

    eu já fui ajudante de pedreiro e faxineira…

    serio.

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