Pagando seus pecados com Sharepoint

Em todos estes anos nesta indústria vital, passei por momentos diversos de desilusão amorosa com aplicativos para Web. Usar o Lotus R6 para fazer fóruns de discussão e aplicar um redesign em 4.800 páginas estáticas em dois dias antes de conhecer o CSS Design foram apenas alguns dos mais notáveis. Mas nada se compara a tentar entender e usar o Sharepoint, o queridinho dos microsofteiros de plantão. Vejamos como causar uma gastrite numa amante do open source em três passos.

Primeiro passo: WSS, MOSS, whatever

A confusão começa pelo nome. WSS significa Windows Sharepoint Services, e MOSS, Microsoft Office Sharepoint Services. São dois softwares com características e preços diferentes que dividem o apelido. E ainda há o problema da versão (1999, 2003 ou 2007, acredito eu…), cujos objetivos também são bem diferentes. Google não ajuda muito com variáveis tão sutis. Mesmo a mais complexa das search queries traz tudo junto, inclusive coisas que você realmente não precisava saber.

O que vi até hoje é interessante, mas ainda não descobri para quê ele serve além de ser um repositório de arquivos MS Office, uma agenda de eventos e um painel de avisos. Sério. Qualquer coisa fora disso, é necessário contratar seu programador .NET favorito para criar uma webpart e torrar horas de desenvolvimento tentando entender o Sharepoint para integrar tudo.

E se for para integrar com qualquer outra solução Microsoft, boa sorte.

Segundo passo: É de graça mesmo?

Não, não de verdade. Se alguém tentar te empurrar esta solução e dizer que é de graça, certamente é a versão oferecida é WSS, já que as licenças do MOSS são insanamente caras. Conforme mencionado anteriormente, trabalhar com Sharepoint torra muitas horas de desenvolvimento e programadores .NET que, diga-se de passagem, não são os mais em conta no mercado.

Em termos de desenvolvimento de interface é muito pior. Para alterar qualquer coisa no tema ou na default.master é necessário o Sharepoint Designer, que é o herdeiro do FrontPage. Que pesadelo voltar a usar um WYSIWYG tosco destes! Mas somente por ele é possível usar o controle de versão do portal. Alguém pode me informar quanto é uma licença para ele?

[Tenho um feeling de que os truques que estou catando desesperadamente pela Internet são oferecidos através de treinamento específico. Sim, treinamento específico para editar HTML e CSS, você leu corretamente.]

Terceiro passo: Personalização é tabu

A documentação para costumização dos temas e páginas mestras do Sharepoint são quase inexistentes. Qualquer busca por estes termos sempre irá retornar temas gratuitos e artigos sobre os perigos de alterar as coisas. É apavorante!

Se o código HTML fosse bem construído, eu perdoaria. Mas alguns page layouts não fornecem qualquer distinção usando classes ou identificadores entre a coluna do meio das laterais. Como fazer algum design de interfaces decente de duas ou três colunas sem conseguir diferenciá-ls? Consegui manipular uma das colunas com seletor td[width="70%"]. Pena que só funciona no Internet Explorer 6 com um script que emula a implementação deste tipo de seletor.

Ainda estou tentando descobrir como não editar um tema dentro do Sharepoint Designer para evitar a armadilha do ghosting/unghosting (que é a pior solução de cacheamento de arquivos que já vi). Por enquanto, estou trabalhando com um tema que contém apenas um arquivo .css:

@import url(http://localhost/styles.css);

Tosco, mas funciona lindamente!

Ufa… isso foi só um post-desabafo. Se alguém aí teve alguma experiência semelhante assine aqui embaixo. Preciso ver alguma luz no fim deste túnel! Obrigada!

Referências:


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Este artigo foi publicado por Simone Villas Boas no pixeladas aleatórias [http://s1mone.net] em 31/08/2007 às 20:26 na categoria Desenvolvimento, com as tags. Você pode acompanhar os comentários neste feed. Você pode deixar um comentário, ou enviar um trackback do seu site.


4 comentários para o artigo “Pagando seus pecados com Sharepoint”

  1. Vinícius:

    Deve se por isso que ninguém tira aquela cara azul pálida dele. :)

  2. SharePointer:

    Isso parece mais um desabafo de uma usuaria frustrada.

  3. Thiago:

    É muito bom quando se le uma crítica construtiva e bem desenvolvida. Não é verdade?
    Só acredito que cabem algumas correções, seja no aspecto de desenvolvimento de seu texto, seja no aspecto moral, seja no aspecto de conhecimento geral, porque o importante é a qualidade da informação.

    Sobre a confusão do nome, na verdade só é problema para aqueles que não sabem diferenciar simples nomes; O WSS Windows SharePoint SERVICES é gratuito e é uma plataforma de colaboração e o MOSS Microsoft Office SharePoint SERVER(!) é pago com uma gama de funcionalidades. Bom, sobre SharePoint 1999 nem tem porque falar. O SharePoint possui as versões 2001(1.0), 2003(2.0) e 2007(3.0); será que é algum problema um produto ter versões diferentes, Srta Open Source?

    Sobre como usar o Google, voce pode buscar por WSS 3.0 ou por MOSS 2007 ou sobre qualquer outra versão; para aprender detalhes sobre a utilização do google veja: Dicas do google ou Google Guide

    E vc ainda comentou - sem muito embasamento - sobre as WebParts. WebParts são componentes web aspnet que podem ser utilizadas no SharePoint. E como qualquer componente ele é reutilizável. Alias as webParts podem ter seus parametros alteradas pela própria interface web sem necessidade de desenvolvimento.

    Sobre customização do SharePoint, de uma olhada em alguns sites construidos sob essa ferramenta:
    MOSS Has Got Game
    EnergizeIT Experience
    Plymouth Hospitals
    Hawaii Anair
    Foods
    Catapult Systems
    Wanita
    Zozitdat
    University of Colorado
    University of Sharjah
    Western States

    De uma olhada nesse link também, tem coisas interressantes para quem está querendo aprender SharePoint:
    http://markharrison.co.uk/blog/ (procure por “Wednesday, September 26, 2007″ “MOSS 2007 - Records Management at Defra - video”)
    Ou entre direto nesse link.
    http://sharepoint.microsoft.com/sharepoint/worldwide/uk/markharrison/My%20Documents/defravideo.zip
    Em zip você encontra um video VMW da DEFRA (Department for Environment, Food and Rural Affairs - large UK government agency) e como o SharePoint é utilizado lá.

    “O importante é a crítica construtiva!”
    Beijos

  4. Simone Villas Boas:

    Tiago,
    “aspecto moral”? Por favor! Vou ignorar isso e o restante dos veneninhos. Não sou anti-Microsoft, anti-produto pago, ou o que for. Mas se um produto é tão problemático e é vendido como se fosse o sétimo céu, tenho que sim expôr minha experiência.

    Sobre seus pontos: Achei impressionante a lista de sites. Poderia informar em qual produto cada um foi feito e qual versão como no primeiro link? A demanda que recebi foi menos de um portal aberto e sim de um portal corporativo, que é o foco do SharePoint.

    Sobre as versões, meu problema está na documentação. Praticamente muda de uma versão para outra e você tem que prestar atenção na data de publicação para saber de qual versão estão falando em um blog do MSDN. Para quem está acostumada ao desenvolvimento coletivo opensource, a documentação parece sim uma bagunça.

    []s

    Sharepointer,
    você tem razão. E aí?

    []s

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