Entendendo times ágeis a partir do Princípio das Dimensões Básicas de Schutz

As diversas metodologias ágeis atuantes no mercado hoje indicam o trabalho em equipe. Assim, cabe o estudo das teorias de dinâmicas grupais no estudo para transformar um amontoado de pessoas com um objetivo em comum em uma equipe de alta performance. Uma destas teorias é o Princípio das Dimensões Básicas de um grupo, formulado pelo psicoterapeuta Will Schutz na década de 1950. Seu objetivo é estabelecer parâmetros para o estudo das dinâmicas de grupo, desde sua formação até sua dissolução.

Para o psicoterapeuta, a relação entre os membros de um grupo deve ser estudada a partir de uma visão holística e homeostática. O pressuposto para a existência de um grupo passa pela sua autodefinição enquanto tal, regulada pelo estabelecimento de limites e pelo entendimento comum de quem está dentro e de quem está fora.

Schutz define as fases de formação do grupo em três dimensões: incluir um novo membro, determinar formas de atuação; e criar vínculos afetivos.

A fase da inclusão é caracterizada pela vontade do indivíduo de estar dentro ou fora do grupo. Sua preocupação está em descobrir seu lugar e em quanto investir neste compromisso. Aqui o autoconceito influencia como o indivíduo se apresenta para outros membros e suas expectativas para o trabalho em grupo. Deste modo, pode-se observar um comportamento centrado no indivíduo como falar exageradamente ou demonstrar-se retraído, por exemplo. A organização deve permitir o espaço e o tempo para que o grupo troque informações não essenciais sobre eles mesmos, permitindo um desenvolvimento mais orgânico do grupo.

Na fase de controle, são tomadas decisões, compartilhadas responsabilidades e o poder é distribuído. O indivíduo vincula-se à liderança no grupo, onde decide submeter-se ou tomar a liderança de outro membro. Pode-se observar a formação de pareamentos ou subgrupos nesta fase. A competência na realização de tarefas é uma questão central para o indivíduo, tanto quanto o confronto o é em relação ao grupo.

Por fim, a integração emocional entre os membros é investigada na fase de afeto. Comunicação honesta, confiança entre os membros e orgulho em pertencer ao grupo podem ser observados nesta fase. Aqui, o indivíduo pode reavaliar o nível de proximidade com os outros membros deste grupo e se reposicionar.

Estas fases tendem a ocorrer nesta ordem, mas esta não é uma estruturação determinística. Além disso, elas podem ter ênfases distintas de acordo com o foco do indivíduo ou do grupo, onde cada aspecto das relações interpessoais estabelecidas pode ser revisado e possivelmente reajustado na fase posterior pelos seus membros.

Times ágeis são grupos em constante formação e dissolução porque estamos em um mercado regido pela impermanência e pela incerteza. Busca-se que os times evoluam para uma equipe de alta performance, onde cada um exerce sua responsabilidade perante o grupo e a organização, tendo consciência de limites de sua atuação no grupo e do próprio grupo em relação à organização. As retrospectivas constituem oportunidades para verificar em qual ponto de maturidade o grupo se encontra, se há membros que não estão na mesma fase que outros e é possível descobrir juntos como trabalhar a performance do time.

Referência: SCHUTZ, W. Profunda simplicidade. 4ª ed. São Paulo: Ágora, 1989. p. 103-124.

Por | Tags: , , | Alterado em 16/07/18 às 9:07

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