A diversidade nos times de tecnologia

Tarsila - Operários
O CSSConf 2015 fornece bolsas para a diversidade. O ambiente hostil para mulheres em centros de tecnologia como o Vale do Silício é conhecido da população em geral. Acreditamos sim que isso se deve, pelo menos em parte, no sexismo na formação básica e universitária. No entanto, há algo no processo de recrutamento que pode estar impedindo uma maior diversidade nos times de tecnologia, não só de gênero, mas também de práticas?

Assisti uma palestra sobre gestão de recursos humanos sobre entrevista orientada a competências. Resumindo, o gestor de RH tem utilizado técnicas para filtrar candidatos de acordo com a visão da empresa. Se você já esteve em duas ou três empresas de tecnologia, já notou que a missão e a visão delas não diferem muito em conteúdo. Todas querem criar produtos bacanas e lucrativos. Uma coisa ou outra varia de acordo com a consciência dos sócios em fazer algum bem para o mundo (ou simplesmente não fazer o mal).

Além disso, o RH pode estar usando o processo de seleção como uma forma de fazer que times tenham menos conflitos ao contratar o um tipo de perfil semelhante ao gestor da área. Levei um susto quando ouvi isso de forma formalizada como técnica de entrevista. Tenho notado times extremamente homogêneos em termos de práticas e acreditei ingenuamente que isso era uma consequência natural da cultura organizacional criada na empresa. No entanto, tudo é organizado para evitar conflitos. Mas o conflito não seria também um ingrediente fundamental para a criatividade? Se todos na equipe pensarem da mesma forma, não é prejudicial para a empresa? A proposta seria resolver conflitos de modo saudável ao invés de evitá-lo?

Lembro de uma reunião de quatro horas que participei onde foi discutido apenas se o resultado de busca de um site deveria ser ou não um catálogo de produtos, conceitualmente falando. Havia dez pessoas na sala, incluindo consultores que trabalham por hora. Faltou uma atitude ali um pouco mais pragmática que encerrasse a discussão. Não fui esta pessoa e lamento até hoje. Foi um projeto que fracassou e questiono pequenos eventos como este.

Usei casos de feminismo pois é uma das mais bem documentadas na internet nos últimos tempos, mas não é só a questão de gênero que preocupa. Será que não estamos recusando profissionais mais velhos porque eles não pensam como os millennials que estão gerindo as empresas de tecnologia? Será que estamos formando times 100% pragmáticos ou 100% academicistas? Ainda discutimos muito porque certos times que possuem tudo para produzir bem não entregam. Questionamos as metodologias, mas será só isso ou a forma como montamos nossos times.

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