Mundo cruel

Não foi com pesar que recebi a notícia entre o acordo da Micro$oft com a AOL Time Warner para sepultar a guerra dos navegadores. Há anos o Netscape Navigator estava fardado à descontinuidade e este acordo foi apenas uma pá de cal no software moribundo. Além do mais, acredito que a guerra foi decidida nos primeiros meses após o lançamento da versão 4 do Internet Explorer e do Navigator há quatro anos e não agora.

Em algum momento, escolhemos, enquanto desenvolvedores, qual dos dois browsers iria ser a primeira escolha durante a produção. Não interessa se ele iria ser testado também no outro. De alguma forma, o site seria “nativo” daquele navegador, e não sabemos o quanto isso interfere no desenvolvimento.

E não tivemos outra opção. A guerra dos navegadores fez com que a Microsoft e a Netscape fizessem concessões ao código padrão e adotassem tecnologias como os layers (cada uma usando a sua própria tag) e os iframes da vida. Esta época ficou conhecida pelos requerimentos técnicos no rodapé da homepage. Site bom era site que funcionava nos dois e deixava isso bem explícito para o usuário. Mas o fato é que, por mais perfeccionista que fosse o desenvolvedor, o site sempre ficava um pouquinho melhor num browser do que no outro.

Além dos desenvolvedores, o próprio usuário fez uma escolha, ou não (bem, não vamos entrar nesta questão de Microsoft vs Matrix…). E além dele, um monte de software houses construíram seus próprios navegadores em cima da arquitetura do Internet Explorer, vide NeoPlanet.

Sei que pode parecer uma visão bem distorcida dos fatos, mas estou contente com o fim da guerra, mesmo que isso tenha levado ao monopólio escancarado. Isso irá reduzir os custos de produção dos nossos sites e dar melhores garantias que o sistema irá se integrar ao browser perfeitamente. O usuário só tem a lucrar. Esta disputa, da forma como foi conduzida, não foi boa para ninguém.

Tenho esperança que, algum dia, surja um concorrente que entre na disputa para valer, melhorando a performance dos navegadores sem desrespeitar o W3C. Só isso…

Ganância

Nem a Web escapou da ganância dos mais poderosos. O assunto mais discutido nos últimos dias na Sigia-L e na Chi-Web foram duas patentes requeridas pela SBC Communications nos EEUU. Uma patente age sobre os frames, um dos mais antigos recursos do HTML, presente já na versão 3.2. A outra atua sobre as interfaces de páginas para websites. As patentes foram registradas em 1996 e agora estão sendo cobradas de todo mundo.

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Olha mãe! Sem tabelas!

Nos primórdios do HTML, só havia as tabelas. Para diagramar uma página simples como esta, pensávamos em tabelas complexas com várias linhas, colunas, células mescladas, o diabo a quatro. Não tinha jeito, o HTML não permitia altas viagens de posicionamento dos elementos. Não foi construído para isso. Não dava para colocar um texto um teco mais para cima ou uma foto um pouco mais à esquerda. Usávamos a criatividade para enganar dois browsers ao mesmo tempo e nos orgulhávamos disso.

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