Três motivos para usar (ou não) os comentários do Facebook em seu site

Fui surpreendida pelas mudanças no Big Picture, a página de galerias fotojornalísticas do site do jornal do Boston Globe. A partir de agora, o usuário contribuir nesta seção somente através do widget de comentários do Facebook. Os motivos para esta mudança foram descritos desta forma:

Facebook é ubiquo; possui mais de 500 milhões de usuários ativos, 70% deles não são dos Estados Unidos. Está disponível em 70 idiomas. Era a melhor ferramenta que pudemos encontrar para servir a audiência mundial de fãs do Big Picture.
[referência]

O Facebook pode estar presente em diversos países e em diversas plataformas, mas será mesmo que as redes sociais significam o fim dos sites da Web como conhecemos? Questionei há um ano que o fim estaria nos aplicativos, um pouco antes de um famoso artigo na Wired afirmar que estava de fato nas redes. Há algumas empresas abrindo mão de desenvolvimento de sites tradicionais para criar e manter fan pages, mas esta sempre foi uma decisão de marketing baseado na estratégia do produto ou serviço e não uma decisão técnica.

Além disso, Facebook faz parte de uma nova leva de empresas favorecidas por um investimento maciço que vai na contra-mão da recessão europeia, americana e japonesa. Não precisamos ir muito longe para temer que esta é uma bolha que eventualmente pode explodir com consequências imprevisíveis. Mais que isso: sabemos que há um ciclo de vida entre nas plataformas digitais.

Por outro lado, quem disse que seu site vai durar mais que o Facebook? Devemos estar preparados para surfar em cada grande onda da internet?

Os comentaristas possuem a opção de compartilhar seus comentários no site com seus amigos no Facebook, que poderão ser apresentados às fantátiscas fotografias do Big Picture.

Neste ponto, não resta dúvidas para ninguém. As redes sociais hoje são responsáveis por grande parte do tráfego na maior parte dos site e blogs que conhecemos. É provável que estas fontes devem passar os mecanismos de busca em número de acessos.

A qualidade dos comentários deve melhorar com as pessoas usando seus nomes verdadeiros.

Aqui temos uma premissa falsa ou um falha em definir “qualidade em comentários”. Boa parte dos comentários destas fotogalerias são tão resumidas quanto um “curti”, e um “curti” em diversos idiomas. Se antes os usuários temiam em comentar em seu idioma local, agora não há motivo para tanto. A quantidade de comentários certamente cresce. E a qualidade do debate melhora junto?

O que você acha?

O que você precisa saber sobre HTML5

HTML5 está sendo discutido por todo lado. Natural. É a grande novidade da década no desenvolvimento para a Web. Depois de anos de indas e vindas com o XHTML2, W3C se uniu aos dissidentes do WHATWG para continuar desenvolvendo a especificação do HTML.

As maravilhosas oportunidades do HTML5 você pode ver no HTML5 Demos and Examples, no HTML5 Gallery ou no HTML5 Watch. Mas o que de fato você precisa saber antes de tomar uma decisão em aplicar este tipo de documento ao seu projeto?

Código mais frouxo

Nos últimos anos, a obsessão pelo código válido e bem formado nos fez esquecer o princípio do HTML: qualquer um pode escrever documentos e publicá-los na Web. Para quem trabalha com CSS e JavaScript, esta obsessão tem uma razão de ser. Qualquer trecho mal formado pode criar problemas de renderização indecifráveis. Nesta nova especificação, voltamos a não obrigatoriedade de fechar tags do HTML 4.

Além disso, o HTML5 permite tags escritas em caixa alta ou baixa. Quem tem TOC terá problemas em trabalhar com um código colaborativo ou legado.

Não há plugin de validação de código

Esta é uma meia verdade. Existe uma opção no Web Developer para exibição da validação da página que cobre o HTML5. O problema é navegar em outras páginas durante o trabalho. Tudo fica extremamente lento. E também há este plugin para Firefox que joga para o html5.validator.nu, o que é totalmente inútil se você estiver trabalhando localmente. E se você estiver com algum tempo livre sobrando, pode também instalar o validator.nu no seu ambiente local e usar o plugin do 456 Berea Street. Não tenho uma teoria de o porquê de não termos um bom plugin para validação ainda.

É de verdade ou é de brincadeirinha?

Qualquer aplicação ou site já desenvolvido pode ser passado integralmente para HTML5 sem dano. Basta mudar declaração do tipo de documento e validar a página para corrigir alguns detalhes. Mas o ideal é verificar quais são as novas tags disponíveis para a organização de um documento e treinar novas aplicações em diversos tipos de documento. Aqui vale um estudo mais cuidadoso dos modelos de conteúdo (ou content models). Aí está algo que nunca demos muita importância no passado principalmente depois das “verdades absolutas” proclamadas pelos evangelistas de SEO sobre o peso de cada elemento dentro de um documento e a relevância destes conteúdos para os mecanismos de busca.

E funciona no Internet Explorer?

Sim, HTML5 funciona no Internet Explorer com um JavaScript para habilitar as tags específicas. Mas não se preocupe: HTML5 está nos planos da Microsoft para o IE 10. Veja mais sobre este script no HTML5 Doctor.

De qualquer forma…

Todo desenvolvedor deve aprender HTML5. Nunca sabemos quando será o próximo projeto e quais serão seus requisitos básicos. E esta nova especificação não é difícil. Tenha em mente apenas que a semântica está mais presente e tem um papel mais fundamental do que nas versões anteriores. E este sempre foi o calcanhar de Aquiles do desenvolvimento para a Web.

Lembre-se sempre: HTML5 é mais do que as maravilhosas tags que permitem conteúdo rico em dispositivos móveis da Apple. 😉

Veja mais sobre este assunto:

Aprenda HTML5:

E você tem alguma consideração sobre o desenvolvimento em HTML5?

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A morte dos sites

E sem querer, Internet Explorer 6 morreu mesmo em março. Não o navegador que nos assombra, mas a relevância sobre compatibilidade entre navegadores. Ainda ouviremos reclamações sobre a morte do Flash Player, mas isso logo será passado também. Hoje o foco de nossas preocupações deve estar no futuro dos websites como referência de serviços online.

Estamos caminhando para a Web ubíqua, com aplicativos e dispositivos de todos os tamanhos e propósitos.

Gato brincando no iPad

Teorizamos sobre computação ubíqua há muito tempo. Agora chegamos lá. É isso. É o seu gato brincando no iPad.

Em certos casos, o navegador não é mais o recurso primário de uso de um serviço na internet. O Gowalla, um aplicativo de geolocalização concorrente do Foursquare, existe somente como aplicativo para iPhone e Android. O site serve apenas para suporte e ajuda. Mesmo que você possua algum outro celular com navegador, não será possível usá-lo através da versão mobile do site.

Além disso, a vida sedentária que os desktops nos forçou a ter também acabará algum dia. Empresas brasileiras mais ágeis já devem estar planejando ou implementando a substituição de pesados computadores para notebooks e wi-fi, aproveitando a queda do preço do hardware nos últimos anos. Lá fora, não sei se já estão pensando fornecer iPads para funcionários. Preso num aeroporto durante o caos aéreo na Europa, o primeiro-ministro da Noruega foi capaz de governar o país através de um iPad.

O que muda para nós, profissionais da Web?

Muda tudo. No final das contas, é a velha briga dos padrões abertos repaginada. E como toda guerra, precisamos ficar bem informados sobre as tendências e devemos traçar estratégias.

Hoje temos um mercado de sistemas operacionais para dispositivos móveis dividido entre iPhone OS e Android. Mal dividido aliás, pois o hype sobre iPhones, iPads e afins gerou uma enorme demanda por aplicativos para estas plataformas, principalmente entre os editores de conteúdo tradicional, como revistas e jornais do mundo físico. A esperança de não termos um monopólio de plataformas está na estratégia do Google em manter o código aberto no Android e também no Google Tablet.

Se você questionar se não é melhor logo a Apple manter este monopólio, podemos conversar sobre como o IE6, mencionado anteriormente, atrasou a evolução da Web nos últimos anos.

Mais sobre isso:

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Fácil até demais?

A  matéria de capa do Jornal do Brasil de hoje é sobre a compra num clique da Saraiva e do Submarino. Segundo o jornal, a nova ferramenta destes sites de comércio eletrônico permite uma compra super rápida com dados de forma de pagamento e endereço de entrega pré-cadastrados pelo cliente. Isso é ótimo para quem tem metas a cumprir, mas imagino o pesadelo que deve ser para o atendimento ao consumidor devido a erros nos pedidos.

A experiência de comprar na internet passa pelo impulso sim, mas também precisa ser um evento especial para o cliente. Comprar nestas lojas não pode ser trivial como compras de mês no supermercado. Deve ser valorizado, acalentado e, principalmente, realizado com cuidado. Uma compra errada de um livro é bem mais traumática do que a de um amaciante de roupas, mesmo que o valor seja igual. E não há nada mais desagradável do que depois de realizado um pedido numa loja, ter que ligar e alterar a forma de pagamento ou o endereço de entrega.

Não fiz uma compra de teste nestas lojas porque, confesso, fiquei com medo de acabar fazendo um pedido teste e chegar algo lá em casa. 🙂 Se você fez o teste, conte-me como foi.

A extrema facilidade não pode ser confundida com persuasão. Todo o processo de compra deve ser cuidadoso, confirmando junto ao usuário sobre cada informação fornecida. Erros que podem ser evitados no momento da compra significam menores custos no atendimento posterior e um impacto negativo menor nas mídias sociais.

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O progresso feito na marra

Nas últimas semanas, lovemarks de tecnologia andam anunciando produtos e serviços que entram em conflitos com outras marcas:

  1. YouTube lança uma versão HTML5 do site que dispensa o uso do plugin Flash Player (via Mashable). O player ainda funciona em poucas versões de navegadores e tem alguns bugs, mas já funciona.
  2. Apple anuncia o iPad que, assim como iPhone e o iPod Touch, não possui suporte ao Flash. Dias depois, Steve Jobs afirma em entrevista que a Adobe é uma empresa preguiçosa. Não sem razão. A versão do Flash para MacOsX causa mais travamentos do que na do Windows.
  3. Google suspende o suporte ao Microsoft Internet Explorer 6 (no Computerworld), A medida também vale para Firefox 2, Safari 2 e Chrome 3. A isso se junta a campanha forte nos últimos meses para matar o IE6 liderada pela própria Microsoft. Não sabemos o estrago que as estações de trabalho que ainda rodam XP por causa disso estão fazendo às vendas do Windows 7. Além disso, governos europeus passaram recomendar o uso de navegadores alternativos depois da invasão de contas de ativistas chineses graças a uma brecha de segurança no IE.

A Web vive de ondas rápidas. Muitos poucos sites conseguem fidelização de seus usuários que duram anos. A exceção são os serviços – como provedores de acesso e de webmail – e os portais que provém este serviço. Nos últimos anos, algumas redes sociais conseguiram isso com sucesso em alguns mercados, como o Orkut no Brasil e o Friendster nas Filipinas.

O irônico, é que a plataforma que sustenta este mercado volátil é praticamente o mesmo há dez anos. Fora algumas iniciativas da comunidades, como a adoção maciça do CSS para estrutura e dos frameworks JS, não houve evolução significativa no desenvolvimento para a Web.

Em desenvolvimento server-side, o mercado se dividiu entre JavaMicrosoft .Net e PHP. Alguns desenvolvedores tem migrado para Ruby, outra linguagem dos idos de 1990. Para aplicações ricas, temos o Adobe Flash, que domina o mercado desde 1996, apesar de outras iniciativas como o Silverlight. Além disso, o Flash Player está instalado em 99% dos computadores, sendo uma alternativa mais viável para a publicação de vídeos em sites como o YouTube e o Vimeo e matando o mercado do Quicktime, do Real Player e do Windows Media Player.

O HTML5, juntamente com o CSS 3, é uma especificação ansiosamente aguardada pelos desenvolvedores por causa dos seus inúmeros recursos, mas também é uma demanda das empresas de vanguarda. A nova fronteira é móvel, onde MacOsX e Android evoluem rapidamente para se manter competitivas. Veja este vídeo sobre o Motorola Milestone, onde a plataforma de desenvolvimento se tornou um argumento de venda.

O que vem por aí é excitante. Todos sabem disso. E se for necessário bater forte em um adversário, Apple e Google não se intimidarão. Para nós, profissionais da Web, tudo o que resta é se manter atualizado com as boas práticas e com as novas especificações mantendo os dois pés bem firmes na terra.

Leia mais:

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A identidade virtual da pessoa jurídica

Houve um tempo onde havia uma distinção clara e precisa entre pessoas físicas e jurídicas. Pessoas físicas cedem seu tempo para execução de tarefas para as empresas e, em contrapartida, fornecem produtos e serviços. Esta relação nem sempre é amigável. Há conflitos de todo tipo durante a relação de troca, sempre resolvidos em negociações particulares entre as partes.

Com a ascensão das redes sociais, esta distinção tornou-se mais delicada e a relação de poder se tornou mais instável. As negociações passaram a ter uma audiência assíncrona. Um conflito nas relações de consumo ou de trabalho relatado numa rede estará teoricamente armazenado para sempre, mesmo que tenha sido resolvido satisfatoriamente. Lembram do Eu odeio a Telerj? Do mesmo modo que um recrutador pode encontrar o perfil constrangedor de um futuro empregado cadastrado numa rede social anos antes.

É fácil aconselhar ao mais novo a não publicar nada que possa ser comprometedor em seu futuro profissional, mas como convencer o profissional de comunicação institucional a ser mais cuidadoso?

Ouso dizer as empresas sempre foram percebidas como uma entidade pessoal: Apple é cool, Adidas é descolada, HP é para tiozinhos. Só que agora estão sendo tratadas de fato como tal nas redes, porque quem está lá publicando sobre Apple, Adidas e HP não é um profissional de comunicação, é um amador. E por amador entendemos uma pessoa que ama uma marca, mas também pode odiar, invejar, ignorar, confiar e desconfiar. E é este ser passional que está falando sobre a sua empresa nas redes. E agora, José?

Antes de qualquer coisa, não entre em pânico. Respire. Não entre em negação.  Isso já acontecendo.

Construa e gerencie você mesmo a identidade virtual da sua empresa antes que seres passionais assumam esta tarefa. Escolha um caminho do mesmo modo que ele foi planejado para o mundo real e invista com esmero em promovê-la da mesma forma que você constrói suas relações pessoais. Sua empresa deve saber oferecer produtos e serviços sem ser intrusivo, deve resolver problemas de modo amigável e transparente. Não há nenhuma dica mágica aqui, certo? A única diferença é que agora todos estão olhando. Se alguém nesta platéia não gostar, ele não irá se calar e a idéia irá se propagar.

Outras:

Este texto é fruto de pensamentos aleatórios durante a palestra sobre Redes Sociais, do Nino Carvalho, onde rolou uma bela discussão sobre as novas gerações de profissionais ou quem está disposto a encarar o admirável mundo novo. Lula Ribeiro publicou uma descrição do evento.

Uma referência essencial para encontrar milhares de outras sobre este assunto é o documentário The Corporation. Algo no filme acabou parecendo datado para mim depois da palestra, mas ainda assim.

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Incentivando a colaboração do usuário

Há diversas intervenções que podem ser realizadas em cada interface para facilitar o uso e incentivar a publicação de conteúdo pelo usuário. Para certos tipos de websites, como redes sociais, agregadores de notícia e hotsites de promoções, a carga de conteúdo realizada pelos usuários é essencial para o seu funcionamento.

Veja algumas dicas de como construir interfaces que estimulem a colaboração do usuário.

Mantenha o foco

O foco deve estar na tarefa do usuário que é a contribuição. Quaisquer outras tarefas como buscas, listas, perfis de usuários e outros serviços não são prioritários. Defina o cronograma e orçamento seu projeto de acordo.

Seja simples

É mais fácil achar pontos de entrada para a realização da tarefa em interfaces simples, que tenha poucos pontos de distração. Tenha cuidado o posicionamento de banners e quaisquer outros elementos que requeiram destaque.

Seja conveniente

Espalhe os pontos de interações cuidadosamente. Não é necessário ser econômico nem discreto. Estimular a navegação ou a interação deve ser um trabalho pontual em cada interface. Nenhuma delas pode ser uma rua sem saída. Mesmo nas interfaces mais simples devem ter algum atrativo para fazer o usuário continuar contribuindo. Numa tela de sucesso, por exemplo, use pequenas listas de indicações de outros conteúdos.

Lembre-se: O link interno é seu melhor amigo.

No BuzzFeed, os botões rápidos de heart, broken heart, LOL, OMG etc, ficam logo abaixo do conteúdo. São estes comentários rápidos que ajudam a classificar o conteúdo.

Mostre exemplos

Na maior parte dos casos, é mais fácil para um usuário ver como outros colaboraram do que procurar tutoriais ou começar a partir de um formulário em branco. Estimule seus colegas e amigos a colaborarem com conteúdo antes de um lançamento oficial. Aproveite para recolher informações sobre a experiência de cada um.

Não utilize fakes! Parte do trabalho inicial de um novo site é estabelecer credibilidade.

No Hunch, antes mesmo do cadastro, o usuário pode colaborar respondendo aos questionários rápidos. A sedução e o aprendizado caminham juntos.

Explore a vaidade do usuário

Providencie uma página de perfil atraente. Nem sempre o usuário quer especificar todas as suas atividades e interesses no seu site, mas ofereça esta opção. E sempre há modos de incentivar o usuário a completar o seu perfil.

perfil de usuário do Shelfari é bem completo. Como há muitas listas disponíveis para cada usuário, ele divide o perfil em abas o que mantém todas as informações acessíveis numa mesma tela e organiza a interface.

Não seja mesquinho

Ofereça oportunidades para o usuário fazer links para outros sites de relacionamento. Se for necessário, inclua uma funcionalidade de importação de feeds, mesmo que de sites concorrentes.

Songkick, por exemplo, é um site de resenhas de shows. Ele trabalha com um tracker próprio para coletar as músicas executadas no computador do usuário, mas também permite a importação destes mesmos dados do Last.fm.

E você tem alguma dica para compartilhar?

Bônus: cases

O site Aldeia Viral é um exemplo de poluição e perda de foco da tarefa.

aldeia-viral

Banners se misturam com conteúdo. Não há indícios claros de entrada de conteúdo pelo usuário, como botões de “como colaborar” ou a marcação de avaliação.

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O padrão

Anunciaram um novo paradigma de mercado. Era a Web. A tecnologia se fortaleceu com as novas idéias e recebeu recursos para prosseguir. Ignoraram todos os erros do passado. “É um novo mundo”, disseram. Investidores mais ousados apostaram todas suas fichas. Houve uma época de euforia. E aí veio a crise. Era a bolha.

“O que deu errado?” todos se perguntavam. Chamaram todos os especialistas, consultores, gurus e encontraram o erro. “Vamos fazer tudo de novo.”

Nove anos depois, anunciaram mais um novo paradigma de mercado. Era a Web 2.0. Vieram mais idéias e mais recursos. Desta vez, os erros do passado não foram ignorados. Estava indo tudo certo, com calma e determinação. E aí veio a crise.

“De novo? Bem, agora não é nossa culpa!”, foi o que disseram. Será?

Dead Pool da Web 2.0
Web 2.0 logo chart – updated for 2009 (dead companies)

Twitter em três notas

Três rapidinhas sobre mídias sociais, em especial sobre Twitter.

  1. Semana passada foi publicada no Extra uma matéria bem básica sobre redes sociais onde fui entrevistada como uma social-o-holic.
  2. No próximo dia 30, estarei na 7a. edição do Sou+Web para o debate sobre Twitter como Ferramenta de Marketing Digital com Roberto CassanoLeonardo Bravo e Luis Ricardo Correia, com moderação de Roney Belhassof. Faça sua inscrição.
  3. Estou participando do Twitcast, um podcast sobre o Twitter juntamente com Leonardo BravoRoney BelhassofFernanda Lizardo e Bruno Dulcetti, com o apoio de Claudia Mello e da Vivi Reis. Também estou publicando no blog do podcast. Ouça o último episódio.
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A realidade paralela dos fakes no Twitter

Os perfis falsos ou fakes proliferam no Twitter criando constrangimentos para personalidades públicas. Mas já não era tempo de estas celebridades do mundo real acordarem para as mídias sociais e tomarem posse de suas marcas?

Fakes do Twitter

Ao descobrir que havia um perfil falso insultando outras pessoas públicas no Twitter, o vocalista da banda Detonautas, Tico Santa Cruz, escreveu em seu blog oficial um comunicado para esclarecer que não era o responsável pelos perfis @ticosantacruz e @ticosntacruz. Afirmou que havia registrado queixa na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática solicitando a remoção da conta e abrindo o caso para uma ação cível.

O caso não teria se tornado tão interessante se o fake não acusasse o outro perfil como falso. Comparando as duas timelines, é complicado para um leitor comum julgar qual é a verdadeira. Como no caso do famoso perfil de Vitor Fasano, os fakes se esmeram em tornar aquela timeline mais real, mais engraçada e mais intrigante.

O espaço disponível será conquistado pelo primeiro que chegar, ainda mais se for uma personalidade popular e polêmica. Não importa quando ou se o verdadeiro dono daquele nome vai entrar naquela rede social. Quem cuida do próprio nome como uma marca deve estar tão atento quanto as empresas. É mais intuitivo ver que @leojaime está no Twitter pela escolha do username. Um apelido como @mroficial, como o utilizado pela cantora Maria Rita, requer mais esforço para consolidar e para legitimar o perfil oficial. Por enquanto, a melhor forma de se fazer isso com segurança é através de comunicados para as mídias tradicionais.

Fakes do Twitter

O mercado poderá se auto-regular nos próximos anos ou sofrer intervenções mais dramáticas, como as que ocorrem no Orkut. Caso semelhante aconteceu com o registro de domínios das grandes empresas nos primeiros anos da Internet comercial no Brasil e a maior parte dos conflitos foram resolvidos com negociação e venda dos registros. Lá fora, no meio da corrida pelo primeiro milhão de usuários entre CNN e Ashton Kutcher, foi anunciado que a CNN comprou o perfil @cnnbrk de um usuário inglês. Para este usuário, atualizar esta conta por dois anos se tornou um investimento. Para a empresa, foi uma forma rápida de recuperar terreno e tornar o Twitter uma nova fonte de audiência.

Enquanto isso, todos aqueles que estão entrando depois do Asthon Kutcher e do Fantástico devem correr para segurar o melhor apelido que corresponda ao seu nome, ao do seu grupo ou ao do seu projeto. Se ele já foi registrado, analise o perfil e entre em contato. Muitos dos perfis falsos são canais de novidade mantidos por fãs. Verifique se eles possuem interesse em ceder ou mesmo vender a conta.

Esta pode ser uma oportunidade única para o mercado de assessores de comunicação. Hoje a fronteira é o Twitter. Amanhã? Não sabemos. A estratégia de enviar releases por fax ficou enterrada no século passado. É hora de planejar as ações também para os novos produtores de conteúdo: os consumidores.

Veja também:

Observação 

Este post participa da promoção do Social Media Brasil, um evento sobre mídias sociais que irá acontecer nos dias 5 e 6 de junho em São Paulo. Mais informações no site oficial.

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