No final, o que é melhor para o usuário?

Nem sempre uma decisão sobre uma funcionalidade que evidentemente é a melhor para o usuário é também a melhor para a empresa. Certas decisões de interface podem melhorar o desempenho do sistema e das vendas ou diminuir os custos da empresa. Como decidir?

Há algumas semanas, Twitter implementou o botão “more” ao invés da paginação habitual de “older” e “next”. Alguns usuários reclamaram, mas se for para manter a baleia fora do caminho, por que não?

Botão "more" no Twitter

Acredito que este foi um recurso utilizado para diminuir as requisições e tornar o acesso ao site mais rápido, mas também como dificultador para robôs de indexação. Ficou mais complicado para o GoogleBot, por exemplo, acessar twitts anteriores às últimas vinte atualizações de cada usuário. Tornando o mecanismo oficial de busca o método mais confiável se de encontrar alguma informação publicada somente no Twitter. Este pode ser um ponto que auxiliaria uma possível negociação entre as duas empresas.

Pequenas decisões como esta acontecem o tempo todo no processo de desenvolvimento de um aplicativo Web ou site. Uma solicitação para mostrar uma informação a mais pode requerer tantas requisições ao banco de dados que simplesmente pode não valer a pena mostrá-lo. É um caso de negociação entre clientes, arquitetos da informação, designers e desenvolvedores.

No caso de plugins do WordPress, a decisão é feita unicamente pelo usuário que nem sempre sabe o que está dentro do pacote. Alguns deles podem apresentar problemas de sobrecarga no processamento de servidores Web. Será que optar por um plugin com os mesmos recursos, que não sobrecarregue o servidor mas que tenha menos facilidade de uso não seria a primeira opção para os blogueiros?

Como toda metodologia, a usabilidade e a experiência do usuário podem gerar alguns profissionais radicais e isto é saudável. Toda interface precisa ser analisada por diferentes pontos de vista para uma melhor experiência final. Planeje esta fase de negociação na hora de montar o cronograma. Na própria equipe, não é necessária uma grande reunião de aprovação de telas. Opte por entrevistas individuais e tente compreender que pontos podem ser mais sensíveis ao outro profissional para auxiliar a antecipar problemas nos próximos projetos.

Morte ao Internet Explorer 6!

Morte ao Internet Explorer 6!Vários softwares atravancaram a evolução da tecnologia. Seja por monopólio, lobby, estratégia de grandes corporações e grandes marcas. Para a Web e quem trabalha nela, nada foi tão prejudicial quanto o Microsoft Internet Explorer versão 6.

Como grande vencedora da primeira guerra de navegadores, a Microsoft dissolveu a equipe de desenvolvimento e parou a evolução do navegador. Após grande pressão, ela voltou atrás e manteve uma equipe de seis desenvolvedores que faria apenas atualizações de segurança. Em cinco anos, não houve qualquer melhoria do navegador seja para usuários ou para desenvolvedores Web. Além disso, o software foi incorporado gratuitamente ao Windows XP em 2002 diminuindo as chances de quaisquer concorrentes.

Por cinco anos, milhões de novos usuários foram formados acreditando no princípio de que não deveriam fazer atualizações de seus navegadores e de que não existe nenhum outro além do Internet Explorer 6. E estamos falando de uma indústria que existe há apenas treze anos.

Com índices de uso que chegaram a 98% dependendo do site e de seu público-alvo, muitos desenvolvedores acharam conveniente desenvolver em plataformas proprietárias ou testaram seus softwares apenas em um navegador. Imagine o prejuízo de uma empresa como a Petrobras, por exemplo. Quantos aplicativos e sites internos foram desenvolvidos e testados apenas numa plataforma?

Felizmente, com a pressão da comunidade de desenvolvedores e com o uso crescente de navegadores e sistemas operacionais alternativos, a Microsoft reativou o projeto do IE7 lançado oficialmente em outubro de 2006. O IE8 está previsto para este ano. Ambos os projetos são bem mais evoluídos em termos de aderência aos padrões Web e possuem uma experiência de uso muito melhor que seu antecessor.

Estamos em 2009 e, portanto, contando uma história antiga, muito antiga. Por que então continuar usando o Internet Explorer 6? Por que ainda devemos gastar horas de desenvolvimento que poderiam ser utilizados em melhorar a usabilidade e a acessibilidade de código para criar códigos alternativos para um programa defeituoso e velho?

Fale com seus amigos, parentes, colegas de trabalho. Exija upgrade para o Internet Explorer 7 ou acesso a navegadores alternativos. Vamos continuar evoluindo. Vamos dar um prazo final para este navegador: Março de 2009.

Mais:

Artigo em resposta ao Dulcetti. Conclamo todos a fazerem o mesmo: não importa que não tenha um blog de tecnologia, ok?

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A terceira onda: O design franciscano

Vai dar praia? Pergunta simples, não? Por que então ir até o Weather Channel, sofrer com pixels e mais pixels de publicidade e informações que não precisamos se podemos acessar o Será que vai chover? (ou o Umbrella Today? ou going to rain)? A terceira onda também é sobre simplicidade.


Nunca encontro o link para mudar para unidades métricas.

Se há uma probabilidade de 80% de chuva, chegamos à conclusão que vai chover. Mostrar apenas um “sim” ao invés de iconografia e cinco linhas de texto significa mais do que economia de processamento humano. É um novo estilo ou um novo refinamento de interface.


Tarefa realizada rapidamente!

Talvez este novo estilo tenha começado apenas como uma piada (Is Twitter down? e depois Can Rails scale?, Is McCain President?), mas podemos citar o Google como o início de tudo. No caso de mecanismos de busca, o principal é o foco na tarefa a ser realizada. Não há nada na interface que distraia o usuário do que ele deve fazer. Qualquer outra informação ganha pouco destaque para apenas quando o usuário procurar por mais informações: links com sublinhados e cores neutras, menus nos cantos da tela.

Semana passada, tive uma dúvida. Faltando apenas meia hora de ir para o Santos Dumont começou a chover muito. Tentei achar algum lugar que informasse se o aeroporto estava aberto ou não para decolagens.  Caí em várias páginas da Infraero: uma me contava a história do aeroporto, a outra era um release sobre as obras de expansão e a terceira era uma tabela estatísticas sobre vôos atrasados por companhia. Nenhuma delas me respondia a um a pergunta tão simples. Finalmente, e com a ajuda de amigos no Twitter, cheguei a uma tela que fazia consultas pelo número do vôo, mas já era hora de sair e desisti.

Não é sempre que estamos pesquisando sobre história da emancipação antilhana ou de ataques terroristas na Índia. Algumas vezes precisamos apenas saber se vai chover, se o vôo vai atrasar, se o Túnel Rebouças está aberto, se a Perimetral está engarrafada… Foco na tarefa, principalmente para nossos dias cada vez mais dependentes de dispositivos móveis. Para estas perguntas, é mandatório que as soluções sejam igualmente simples.

Mais exemplos:

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Diminuindo o ritmo: eventos Web em dezembro

Apesar dos preparativos das festas de fim de ano há ainda algumas oportunidades na cidade.

Nos dias 6 e 13 de dezembro, Edson Rufino estará ministrando um workshop de Técnicas de Acessibilidade para Websites na UniverCidade. Mais informações no blog do Robson Santos.

Inscrições abertas também para o Free Software Rio – Congresso Internacional de Software Livre para o Setor Público nos dias 8 e 9 de dezembro.

E teremos mais uma edição do Sou+Web sábado 13 de dezembro. O tema da vez é Palestras sobre Creative Commons, Cultura Livre e Propriedade Intelectual. Inscreva-se enviando um email para nino.carvalho@gmail.com, informando nome, email, onde trabalha, qual cargo e como soube do evento.

E dezembro é mês de 24 ways! E o fim do Yahoo!Live e do Pownce.

Você vai organizar algum evento sobre Web no Rio de Janeiro? Mande um e-mail com data, local, como se inscrever, página oficial e email de contato do evento.

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A terceira onda: O acesso à informação

Quando criança, vivia em bibliotecas fazendo todo o tipo de pesquisa aleatória. Para chegar a um poema, precisava saber qual livro possuía o item procurado. Muitas vezes, sabia apenas dois versos dele. Então, anotava todas as referências daquele autor encontradas no arquivo de fichas, ia até a estante certa e pegava todos os livros para verificar em qual estava o poema que continha os versos.

Pesquisas como estas ficaram muito mais fáceis nos primeiros anos da Web. Na Web 2.0, descobri que outros amigos também possuíam o mesmo gosto estranho para a literatura e pudemos trocar referências. O que esperar da terceira onda ou a Web 3.0? Bem, acredito que o poema vai cair em minhas mãos enquanto estiver andando pela rua.

Sofremos enorme pressão para nos manter informados lendo todos os feeds que assinamos. Em momentos mais ocupados da semana, a tentação de clicar no mágico “Mark all as read” parece ser mais forte que tudo, mas nem sempre cedemos. Há culpa e o medo de perder um tópico quente importante. O compartilhamento de itens favoritos com comentários do Google Reader com um grupo de amigos ajuda nos manter razoavelmente informado nestes momentos.

Este é o máximo de desempenho que poderíamos obter hoje da carga de informação* com a tecnologia atual: filtros humanos aliados aos filtros tecnológicos. Em algum momento da terceira onda, agregadores de feeds irão aliar de modo eficiente rede social e sugestão. Isso já ocorre com a sugestão de novas assinaturas baseadas nas que o usuário já tem.  Sugestão de tópicos quentes demanda mais processamento e mais horas/homem. No entanto, é apenas uma questão de tempo para a “grande máquina” saber o que quero e preciso saber em determinado momento.

Muito do que desejamos saber é um tópico naturalmente quente como o último escândalo daquela celebridade ou informações sobre eleições municipais. Hoje por exemplo, Dia da Consciência Negra, há muitas reflexões sendo publicadas sobre este assunto que usaremos nos debates na padaria pela manhã. Outros tópicos são mais sutis, atuam no consciente coletivo e estão igualmente espalhadas pelo compartilhamento de favoritos na minha lista. Não me surpreendo quando alguém me mandar um trecho da música que estou escutando agora pelo IM. Isso acontece a toda hora!

Claro que estas questões abrem discussão sobre privacidade e o poder da nova mídia (e com manipular estes resultados), mas este já é outro artigo.

* Ando culpada em usar expressões como “recarregar seres humanos com informação” desde que vi a palestra de Susan Blackmore no TED. Veja no YouTube: parte 1, parte 2 e parte 3.

Referências:

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Eventos sobre Web no Rio

Ainda na ressaca do Intercon e na expectativa do Campus Party, teremos alguns eventos interessantes de Web no Rio de Janeiro neste mês:

Sou + Web

Terceira edição da série de debates na FACHA neste sábado, dia 8 de novembro. O tema da vez é Webdesign com foco no cliente, com Anderson Gaveta, Bruno Dulcetti e Gabriel Guerra. Para se inscrever, mande um e-mail para nino.carvalho@gmail.com até hoje informando nome, e-mail, onde trabalha e em qual cargo e como soube do evento. Mais informações em no DNA Digital.

Dia Mundial da Usabilidade

Nesta edição do evento no Rio, teremos apenas um painel sobre Web com Letícia Cianconni falando de metodologias. Mas é claro que o evento é super interessante por si só. Será dia 13 de novembro a partir das 17h30 na unidade Ipanema da UniverCidade. Mais informações no Interfaceando, blog do Robson Santos. As inscrições estão abertas no site do evento. Sobre outras edições no país, veja no site oficial.

A escola no século XXI

O Descolagem deste mês será sobre a nova escola. Os palestrantes serão Paulo Blikstein, Luli Radfahrer e Patrícia Konder Lins e Silva. Imperdível para quem gosta de educação à distância. Será no NAVE, na Rua Uruguai na Tijuca, no dia 22 de novembro, às 15 horas. Para se inscrever, envie um email para descolagem@oi.com.br com o assunto “Quero participar”, informando nome, idade e ocupação. Quem não puder ir, pode conferir o streaming no site http://www.onave.org.br.

Depois do Descolagem, provavelmente iremos emendar direto para o #BOD (Blogs on Dance), na Lapa. Mais informações no site oficial.

Você vai organizar algum evento sobre Web no Rio de Janeiro? Mande um e-mail com data, local, como se inscrever, página oficial e email de contato do evento.

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A crise e o e-commerce 2.0

A crise financeira nos tem levado numa montanha russa emocional: temos semanas otimistas e outras suicidas. Como em qualquer outra crise que já tenhamos vivenciado ou estudado, é o momento de cautela e paciência. Só que o Natal está chegando. Será que as grandes lojas estão preparadas para atingir suas metas em 2008 apesar da crise?

Para apimentar mais este cenário, o comércio eletrônico nacional deu uma sacudida nestas últimas semanas. Primeiro foi a chegada do Walmart. Menos de duas semanas depois, Submarino lança um novo redesign, talvez o mais radical de sua história.

Sacudida mais do que necessária. Desde a fusão de Americanas.com com Submarino há dois anos, o mercado se tornou um tédio só. Pouca competição ao longo do tempo leva a preços pouco competivos e serviços de baixa qualidade (alguém não tem alguma reclamação sobre entregas de Submarino e Americanas.com?). Ainda assim, as vendas pela Internet só subiram durante este tempo.

E é uma sacudida atrasada. O diferencial destes dois lançamentos é uma pitada de Web 2.0, algo que convivemos há anos já em todos os outros tipos de site. A seção Meu Wal-mart tenta algo de rede social, com foto do usuário, controle das resenhas feitas e agenda de eventos. Os produtos dos dois sites podem ser tagueados comunitariamente, e assim por diante.

O desafio agora é compensar o tempo perdido: pensar na Web Semântica, forçar mais os limites do SEO ético, inovar nos recursos de interface e de interação de verdade. O mundo inteiro lá fora já pensa na terceira onda da Web e não é hora para ficar parado olhando para a flutuação do dólar.

Mais referências:

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Seis anos…

Hoje este blog completa seis anos de vida com quatro meses sem atualização. Vexame, sei bem. Mas entenda: neste momento estou em mais uma daquelas viradas profissionais mirabolantes. Nestes seis anos passei por empresas públicas, privadas, grandes, pequenas (inclusive a minha própria). Agora, estou onde nunca estive antes: no e-commerce. Ainda é muita informação para digerir, mas claro que em breve irei começar a soltar novamente minhas pílulas randômicas de reflexão.

Até lá! :*

Ou, enquanto isso, acompanhe minhas atualizações no Twitter, Google Reader, Blip.fm, del.icio.us e blippr.

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Maturando o HTML

Construir um bom código HTML garante um bom andamento de um projeto de desenvolvimento de interfaces. Muitos dos atributos e marcações que normalmente sentimos falta apenas na integração das camadas de apresentação e de comportamento podem ser antecipados em um código HTML maduro e eficiente, deixando apenas as particularidades de cada interface para ajustes pós-integração.

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Twitter, I love you

Por que amamos Twitter e não Pownce, Jaiku ou mesmo Plurk? Como nos tornamos tão dependentes do relacionamento com certas ferramentas que, quando necessário, é doloroso migrar para outro serviço?

Twitter is over capacity

Os usuários do Twitter têm sofrido nas últimas semanas com constantes quedas no serviço, limitação no uso dos clientes de terceiros e notificações por mensagem instantânea. Mesmo assim há resistência em utilizar outros serviços. Qual seria o problema?

A primeira resposta seria a lista de amigos. No entanto, é virtualmente possível refazer boa parte dele em uma tarde em qualquer outro site que não dependam de convite, como o Jaiku. Basta enviar um email notificando seus contatos mais próximos. Se o conteúdo do seu microblogging for interessante para seus contatos, o sucesso da migração está garantido. Este não deveria ser o principal obstáculo e pude comprovar isso nas últimas semanas com a enxurrada de convites.

Vários fatores influenciam diretamente o sucesso do Twitter: sua simplicidade, sua interoperabilidade, sua popularidade. Graças a estes dois últimos, vários programas clientes de terceiros foram desenvolvidos pela comunidade, como extensões para Firefox, programas para diversos sistemas operacionais, clientes para celular, sites de mashups. Praticamente qualquer necessidade de experiência de usuário para a publicação e acompanhamento da rede Twitter está suprida. Quem já se acostumou aos seus modos favoritos de leitura, terá dificuldade nestes outros sites, ainda não tão populares.

Something is technically wrong

O grande fator de rejeição do Jaiku, por exemplo, é sua falta de simplicidade e clareza. O serviço optou por oferecer diversos recursos, o que tornou a interface bastante poluída e com poucas opções de personalização. Imagino que integrar todos estes recursos a um programa cliente também seja custoso demais para uma base de usuários não tão extensa.

A crise existencial dos serviços de microblogging é um caso incrível para o dia-a-dia do profissional Web. Temos que manter o foco na simplicidade da interface e objetividade na realização da tarefa. Qualquer firula, principalmente nos primeiros meses de um site, é um risco para a fidelização de usuários.

Ainda hoje, o usuário precisa se sentir conquistado e amado pelo site que participa. E ele não sonha com flores e bombons: o usuário deseja que serviço esteja disponível quando ele precisar. Se o serviço é bom, mas tem suas falhas, o usuário perdoa. Mas cuidado para não fazê-lo se sentir a mulher do malandro. Um dia, ele segue o seu rumo.

Referências e outras opiniões:

UPDATE:

Nos últimos dias, tenho usado o serviço do Ping.fm para publicar microposts para o Twitter, Jaiku, Pownce e Plurk simultaneamente. Foi um achado para a manutenção da base de amigos e para a produvidade no trabalho. Ainda mais com a versão móvel. É uma grande vantagem para o microblogueiro autista que “apenas fala para a parede”. Falta uma ferramenta que integre melhor as respostas que fazem do Twitter, por exemplo, mais uma rede social do que uma plataforma de publicação na Web.

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