Morte ao Internet Explorer 6!

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Morte ao Internet Explorer 6!Vários softwares atravancaram a evolução da tecnologia. Seja por monopólio, lobby, estratégia de grandes corporações e grandes marcas. Para a Web e quem trabalha nela, nada foi tão prejudicial quanto o Microsoft Internet Explorer versão 6.

Como grande vencedora da primeira guerra de navegadores, a Microsoft dissolveu a equipe de desenvolvimento e parou a evolução do navegador. Após grande pressão, ela voltou atrás e manteve uma equipe de seis desenvolvedores que faria apenas atualizações de segurança. Em cinco anos, não houve qualquer melhoria do navegador seja para usuários ou para desenvolvedores Web. Além disso, o software foi incorporado gratuitamente ao Windows XP em 2002 diminuindo as chances de quaisquer concorrentes.

Por cinco anos, milhões de novos usuários foram formados acreditando no princípio de que não deveriam fazer atualizações de seus navegadores e de que não existe nenhum outro além do Internet Explorer 6. E estamos falando de uma indústria que existe há apenas treze anos.

Com índices de uso que chegaram a 98% dependendo do site e de seu público-alvo, muitos desenvolvedores acharam conveniente desenvolver em plataformas proprietárias ou testaram seus softwares apenas em um navegador. Imagine o prejuízo de uma empresa como a Petrobras, por exemplo. Quantos aplicativos e sites internos foram desenvolvidos e testados apenas numa plataforma?

Felizmente, com a pressão da comunidade de desenvolvedores e com o uso crescente de navegadores e sistemas operacionais alternativos, a Microsoft reativou o projeto do IE7 lançado oficialmente em outubro de 2006. O IE8 está previsto para este ano. Ambos os projetos são bem mais evoluídos em termos de aderência aos padrões Web e possuem uma experiência de uso muito melhor que seu antecessor.

Estamos em 2009 e, portanto, contando uma história antiga, muito antiga. Por que então continuar usando o Internet Explorer 6? Por que ainda devemos gastar horas de desenvolvimento que poderiam ser utilizados em melhorar a usabilidade e a acessibilidade de código para criar códigos alternativos para um programa defeituoso e velho?

Fale com seus amigos, parentes, colegas de trabalho. Exija upgrade para o Internet Explorer 7 ou acesso a navegadores alternativos. Vamos continuar evoluindo. Vamos dar um prazo final para este navegador: Março de 2009.

Mais:

Artigo em resposta ao Dulcetti. Conclamo todos a fazerem o mesmo: não importa que não tenha um blog de tecnologia, ok?

Abre o olho, meu povo!

7 comentários

O Governo Federal, através da posição firme do presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, Sérgio Amadeu, fez jogo duro com a política de adoção de softwares livres no programa “PC Conectado”. Foi uma perda e tanto para Microsoft, que deste modo dificilmente irá fazer algum lucro com o Windows XP Starter Edition, mesmo com a ajuda dos itautecs e ponto-frios da vida. Tanto que Bill Gates teve que sair correndo atrás do presidente Lula em Davos, prometendo altas caridades. Tudo em vão.

No entanto, um pior revés aguarda a empresa de Redmond. Está em estudo uma resolução do governo de substituir todos os programas proprietários por GPL em todas as instâncias do governo brasileiro, desde que haja similar já disponível no mercado [*]. Se os custos com programas importados chegam US$ 6,4 bilhões anuais no país, imagine qual parte disso vem de somente de licensas MS Windows e MS Office no setor público? Seria um bom prejuízo a curto prazo. Mais que isso, um precedente maravilhoso para outros países emergentes e para os da União Européia.

Claro que a Microsoft, que já está envolvendo o governo norte-americano nisso, está tirando a mão do bolso. Veja esta nota de hoje no Blue Bus:

Deputados brasileiros na mao do Bill Gates

A Microsoft está apostando seus dolares num investimento de retorno certo – os deputados e senadores brasileiros. Deve pretender usa-los como obedientes marionetes contra a politica do software livre do Governo Lula, leia abaixo (obrigado, Marcello).

Cerca de 30 senadores e deputados brasileiros participam hoje e amanha em Washington de um forum para líderes de governo. Foram convidados pela Microsoft. A empresa está pagando integralmente as despesas de alguns, outros conseguiram descontos especiais, mas todos terao direito a transporte terrestre e alimençao, segundo denunciou na semana passada materia publicada em O Globo no feriado de Tiradentes, com pouca repercussao. A lista de convidados inclui nomes do PT, PFL e PSDB. O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti, autorizou a viagem. As faltas serao justificadas. De acordo com o jornal, os convidados assistirao palestras e debates com Bill Gates e com o ex Secretário de Estado dos EUA Colin Powell. Deus tenha piedade de nós.

» Veja a nota no Blue Bus

Esta é uma oportunidade histórica de fazer algo pelo bem público, não só no Brasil mas em todo o mundo. Nós que temos alguma formação e informação sobre o assunto, temos a obrigação moral de nos mobilizar e cobrar dos deputados uma posição firme diante do monopólio que as grandes empresas de software tentam impôr. Não se trata de discurso anti-capitalismo ou pró-Lula. É sobrevivência. Se queremos um mercado melhor no Brasil, com mais empregos em tecnologia e melhores salários, temos que escolher as lutas certas.

Estamos de olho, seu Bill!

[*] Li esta informação na capa da edição impressa do Valor Econômico de 22/04/2004. Se alguém tiver aí o texto do site do Valor, mande por favor. Segue um trecho e o link (Obrigada, Andr?!):

Governo vai obrigar ?rg?os p?blicos a usar softwares livres

…Depois de tentar por dois anos convencer os ?rg?os p?blicos a migrarem para o software livre, o governo planeja agora dar um passo ousado e pol?mico: obrigar todas as reparti??es p?blicas federais a a…

Descri??o: Jornal Impresso – 22/04/2005 00:00