A informação ubíqua

Desde a onda de popularização dos smartphones iniciada com o iPhone, os grandes publicadores acharam que a solução ideal para o conteúdo nos dispositivos móveis estava nos aplicativos. A premissa era que a marca seria forte e apelativa o suficiente para fazer com que o usuário baixasse um app e o abrisse diariamente em busca de informação. O custo de desenvolvimento e publicação de um aplicativo na Apple Store ou no Android Market seria recompensado através de um investimento no fortalecimento da marca ou por assinaturas. Esta premissa foi válida para algumas empresas por algum tempo.

No entanto, o usuário se acostumou a acessar a informação de vários modos num dispositivo móvel. Por RSS, a informação chega a aplicativos agregadores de conteúdo gerenciados pelo usuário, como Flipboard e Newsify. O conteúdo pode ser compartilhado e pré-visualizado em diversos mecanismos de busca, Facebook e Twitter. Inclusive, há protocolos específicos para visualização de dados nestes sites como Schema.org, Open Graph Protocol e Twitter Cards. Se o usuário não dispuser de tempo, aplicativos como o Pocket (antigo Read it later) e Instapaper armazenam o link para ser lido (ou não) depois. Podemos mencionar também outros agregadores como displays em elevadores, shoppings e ônibus. A relação entre produtor e consumidor de conteúdo torna-se mais complexa a cada mês, a cada novidade no mercado.

E, por outro lado, o custo e o tempo prolongado para o desenvolvimento e a publicação de cada aplicativo para cada tipo de dispositivo torna todo o modelo frustrante para o publicador.

Website do The Boston Globe: reformulado ano passado para ser inteiramente responsive.

É irônico que os velhos e conhecidos websites ressurjam como a opção mais viável para os grandes publicadores através de metodologias como responsive design e mobile first. Ao que parece, os mesmos profissionais que lidam constantemente com as diferenças de renderização dos navegadores são os mais qualificados para lidar com os diversos tamanhos de telas dos dispositivos móveis e com as diferenças de interação de um aparelho para outro.

Há um ano, o Financial Times abriu mão dos aplicativos para investir em um web app. A Folha de São Paulo seguiu pelo mesmo caminho. O conteúdo do Terra abre diretamente no web app não importa a origem (mecanismo de busca, rede social ou agregador de conteúdo). Todos estes publicadores de conteúdo e vários outros estão procurando neste exato momento um modo de que a informação exista e possa ser vista em todo o lugar, dentro e fora dos sites oficiais, conservando a força da marca e fortalecendo seu modelo de negócio.

A informação pode ser acessada de vários modos. Ela deve estar disponível de modo completo e através da melhor experiência possível. É o dispositivo que determina a interface e não o local de publicação do conteúdo.

Isso acontece não só com o jornal que virou um site que virou um app ou um web app. É uma tendência midiática por vezes reconhecida como transmidia storytelling. É o programa da TV a cabo que você só assiste quando precisa de uma receita para o almoço de domingo.

Decretaram a morte da web cedo demais?

Sir Tim Berners-Lee na cerimonia de abertura das Olimpíadas de Londres 2012: “This is for everyone”

Mais:
Forbes: More Mobile News Consumers Choosing Web Over Apps
Folha de São Paulo: Ao encontro do que leitores preferem, ‘NYT’ adota HTML5

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A morte dos sites

E sem querer, Internet Explorer 6 morreu mesmo em março. Não o navegador que nos assombra, mas a relevância sobre compatibilidade entre navegadores. Ainda ouviremos reclamações sobre a morte do Flash Player, mas isso logo será passado também. Hoje o foco de nossas preocupações deve estar no futuro dos websites como referência de serviços online.

Estamos caminhando para a Web ubíqua, com aplicativos e dispositivos de todos os tamanhos e propósitos.

Gato brincando no iPad

Teorizamos sobre computação ubíqua há muito tempo. Agora chegamos lá. É isso. É o seu gato brincando no iPad.

Em certos casos, o navegador não é mais o recurso primário de uso de um serviço na internet. O Gowalla, um aplicativo de geolocalização concorrente do Foursquare, existe somente como aplicativo para iPhone e Android. O site serve apenas para suporte e ajuda. Mesmo que você possua algum outro celular com navegador, não será possível usá-lo através da versão mobile do site.

Além disso, a vida sedentária que os desktops nos forçou a ter também acabará algum dia. Empresas brasileiras mais ágeis já devem estar planejando ou implementando a substituição de pesados computadores para notebooks e wi-fi, aproveitando a queda do preço do hardware nos últimos anos. Lá fora, não sei se já estão pensando fornecer iPads para funcionários. Preso num aeroporto durante o caos aéreo na Europa, o primeiro-ministro da Noruega foi capaz de governar o país através de um iPad.

O que muda para nós, profissionais da Web?

Muda tudo. No final das contas, é a velha briga dos padrões abertos repaginada. E como toda guerra, precisamos ficar bem informados sobre as tendências e devemos traçar estratégias.

Hoje temos um mercado de sistemas operacionais para dispositivos móveis dividido entre iPhone OS e Android. Mal dividido aliás, pois o hype sobre iPhones, iPads e afins gerou uma enorme demanda por aplicativos para estas plataformas, principalmente entre os editores de conteúdo tradicional, como revistas e jornais do mundo físico. A esperança de não termos um monopólio de plataformas está na estratégia do Google em manter o código aberto no Android e também no Google Tablet.

Se você questionar se não é melhor logo a Apple manter este monopólio, podemos conversar sobre como o IE6, mencionado anteriormente, atrasou a evolução da Web nos últimos anos.

Mais sobre isso:

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O progresso feito na marra

Nas últimas semanas, lovemarks de tecnologia andam anunciando produtos e serviços que entram em conflitos com outras marcas:

  1. YouTube lança uma versão HTML5 do site que dispensa o uso do plugin Flash Player (via Mashable). O player ainda funciona em poucas versões de navegadores e tem alguns bugs, mas já funciona.
  2. Apple anuncia o iPad que, assim como iPhone e o iPod Touch, não possui suporte ao Flash. Dias depois, Steve Jobs afirma em entrevista que a Adobe é uma empresa preguiçosa. Não sem razão. A versão do Flash para MacOsX causa mais travamentos do que na do Windows.
  3. Google suspende o suporte ao Microsoft Internet Explorer 6 (no Computerworld), A medida também vale para Firefox 2, Safari 2 e Chrome 3. A isso se junta a campanha forte nos últimos meses para matar o IE6 liderada pela própria Microsoft. Não sabemos o estrago que as estações de trabalho que ainda rodam XP por causa disso estão fazendo às vendas do Windows 7. Além disso, governos europeus passaram recomendar o uso de navegadores alternativos depois da invasão de contas de ativistas chineses graças a uma brecha de segurança no IE.

A Web vive de ondas rápidas. Muitos poucos sites conseguem fidelização de seus usuários que duram anos. A exceção são os serviços – como provedores de acesso e de webmail – e os portais que provém este serviço. Nos últimos anos, algumas redes sociais conseguiram isso com sucesso em alguns mercados, como o Orkut no Brasil e o Friendster nas Filipinas.

O irônico, é que a plataforma que sustenta este mercado volátil é praticamente o mesmo há dez anos. Fora algumas iniciativas da comunidades, como a adoção maciça do CSS para estrutura e dos frameworks JS, não houve evolução significativa no desenvolvimento para a Web.

Em desenvolvimento server-side, o mercado se dividiu entre JavaMicrosoft .Net e PHP. Alguns desenvolvedores tem migrado para Ruby, outra linguagem dos idos de 1990. Para aplicações ricas, temos o Adobe Flash, que domina o mercado desde 1996, apesar de outras iniciativas como o Silverlight. Além disso, o Flash Player está instalado em 99% dos computadores, sendo uma alternativa mais viável para a publicação de vídeos em sites como o YouTube e o Vimeo e matando o mercado do Quicktime, do Real Player e do Windows Media Player.

O HTML5, juntamente com o CSS 3, é uma especificação ansiosamente aguardada pelos desenvolvedores por causa dos seus inúmeros recursos, mas também é uma demanda das empresas de vanguarda. A nova fronteira é móvel, onde MacOsX e Android evoluem rapidamente para se manter competitivas. Veja este vídeo sobre o Motorola Milestone, onde a plataforma de desenvolvimento se tornou um argumento de venda.

O que vem por aí é excitante. Todos sabem disso. E se for necessário bater forte em um adversário, Apple e Google não se intimidarão. Para nós, profissionais da Web, tudo o que resta é se manter atualizado com as boas práticas e com as novas especificações mantendo os dois pés bem firmes na terra.

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