A terceira onda: O design franciscano

Vai dar praia? Pergunta simples, não? Por que então ir até o Weather Channel, sofrer com pixels e mais pixels de publicidade e informações que não precisamos se podemos acessar o Será que vai chover? (ou o Umbrella Today? ou going to rain)? A terceira onda também é sobre simplicidade.


Nunca encontro o link para mudar para unidades métricas.

Se há uma probabilidade de 80% de chuva, chegamos à conclusão que vai chover. Mostrar apenas um “sim” ao invés de iconografia e cinco linhas de texto significa mais do que economia de processamento humano. É um novo estilo ou um novo refinamento de interface.


Tarefa realizada rapidamente!

Talvez este novo estilo tenha começado apenas como uma piada (Is Twitter down? e depois Can Rails scale?, Is McCain President?), mas podemos citar o Google como o início de tudo. No caso de mecanismos de busca, o principal é o foco na tarefa a ser realizada. Não há nada na interface que distraia o usuário do que ele deve fazer. Qualquer outra informação ganha pouco destaque para apenas quando o usuário procurar por mais informações: links com sublinhados e cores neutras, menus nos cantos da tela.

Semana passada, tive uma dúvida. Faltando apenas meia hora de ir para o Santos Dumont começou a chover muito. Tentei achar algum lugar que informasse se o aeroporto estava aberto ou não para decolagens.  Caí em várias páginas da Infraero: uma me contava a história do aeroporto, a outra era um release sobre as obras de expansão e a terceira era uma tabela estatísticas sobre vôos atrasados por companhia. Nenhuma delas me respondia a um a pergunta tão simples. Finalmente, e com a ajuda de amigos no Twitter, cheguei a uma tela que fazia consultas pelo número do vôo, mas já era hora de sair e desisti.

Não é sempre que estamos pesquisando sobre história da emancipação antilhana ou de ataques terroristas na Índia. Algumas vezes precisamos apenas saber se vai chover, se o vôo vai atrasar, se o Túnel Rebouças está aberto, se a Perimetral está engarrafada… Foco na tarefa, principalmente para nossos dias cada vez mais dependentes de dispositivos móveis. Para estas perguntas, é mandatório que as soluções sejam igualmente simples.

Mais exemplos:

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A terceira onda: O acesso à informação

Quando criança, vivia em bibliotecas fazendo todo o tipo de pesquisa aleatória. Para chegar a um poema, precisava saber qual livro possuía o item procurado. Muitas vezes, sabia apenas dois versos dele. Então, anotava todas as referências daquele autor encontradas no arquivo de fichas, ia até a estante certa e pegava todos os livros para verificar em qual estava o poema que continha os versos.

Pesquisas como estas ficaram muito mais fáceis nos primeiros anos da Web. Na Web 2.0, descobri que outros amigos também possuíam o mesmo gosto estranho para a literatura e pudemos trocar referências. O que esperar da terceira onda ou a Web 3.0? Bem, acredito que o poema vai cair em minhas mãos enquanto estiver andando pela rua.

Sofremos enorme pressão para nos manter informados lendo todos os feeds que assinamos. Em momentos mais ocupados da semana, a tentação de clicar no mágico “Mark all as read” parece ser mais forte que tudo, mas nem sempre cedemos. Há culpa e o medo de perder um tópico quente importante. O compartilhamento de itens favoritos com comentários do Google Reader com um grupo de amigos ajuda nos manter razoavelmente informado nestes momentos.

Este é o máximo de desempenho que poderíamos obter hoje da carga de informação* com a tecnologia atual: filtros humanos aliados aos filtros tecnológicos. Em algum momento da terceira onda, agregadores de feeds irão aliar de modo eficiente rede social e sugestão. Isso já ocorre com a sugestão de novas assinaturas baseadas nas que o usuário já tem.  Sugestão de tópicos quentes demanda mais processamento e mais horas/homem. No entanto, é apenas uma questão de tempo para a “grande máquina” saber o que quero e preciso saber em determinado momento.

Muito do que desejamos saber é um tópico naturalmente quente como o último escândalo daquela celebridade ou informações sobre eleições municipais. Hoje por exemplo, Dia da Consciência Negra, há muitas reflexões sendo publicadas sobre este assunto que usaremos nos debates na padaria pela manhã. Outros tópicos são mais sutis, atuam no consciente coletivo e estão igualmente espalhadas pelo compartilhamento de favoritos na minha lista. Não me surpreendo quando alguém me mandar um trecho da música que estou escutando agora pelo IM. Isso acontece a toda hora!

Claro que estas questões abrem discussão sobre privacidade e o poder da nova mídia (e com manipular estes resultados), mas este já é outro artigo.

* Ando culpada em usar expressões como “recarregar seres humanos com informação” desde que vi a palestra de Susan Blackmore no TED. Veja no YouTube: parte 1, parte 2 e parte 3.

Referências:

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